Algumas verdades sobre INOVAÇÃO

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Quando falamos de inovação, imediatamente nos vem a cabeça a simplicidade e brilhantismo de soluções como o IPhone na época em que foi lançado, o Netflix, o Waze, o UBER, as meias antiderrapantes pra crianças. Baita soluções inovadoras, não?

Esta é a visão mais charmosa e atraente da inovação. Mas sinto lhe informar, é a visão errada.
Errada por que? Errada pois nos passa a mensagem que para inovar basta apenas buscar uma inspiração, reforçar a criatividade e, como num passe de mágicas, surgem idéias inovadoras revolucionárias fantásticas.

A verdadeira face da inovação é a dúvida, as tentativas frustradas, o quase desistir após inúmeros erros, revisão frequente de detalhes, noites acordado e muito trabalho para transformar a idéia em algo prático, que resulte em geração de valor para a sua empresa, clientes e sociedade.

 

Thomas Edison já dizia:

“O gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração.”

“Eu nunca fiz nada por acidente, tampouco alguma de minhas invenções surgiu por acidente, elas surgiram pelo trabalho.”

 

Thomas Edison, além da lâmpada que todos sabem, também inventou o medidor de energia elétrica, o embalagem a vácuo, a bateria elétrica dos carros, aperfeiçoou o telefone, a máquina de escrever. No total ele registrou 2.332 patentes.

Muito se fala em criar dentro das empresas a cultura da inovação. A intenção é boa, mas sozinha ela não funciona.
A inovação não pode ser imposta, ela acontece. É o final de um ciclo bem sucedido. E mais, só acontece quando as pessoas querem fazer ela acontecer.

Como a inovação visa atingir novas abordagens, diferente das existentes e de que sejam de difícil reprodução, a implantação de uma cultura de inovação pode chocar de frente com a cultura atual das empresas, que por natureza são burocráticas e guiadas por processos.
A inovação não pode passar por algum filtro ou processo que as normatize. Ela tem que ser livre, angustiante, irregular mesmo.

Mas então não podemos fazer nada para incentivar e criar condições favoráveis à transformação da criatividade em inovações que gerem valor para a empresa e seus clientes?
É óbvio que podemos!

Veja algumas atitudes que vejo funcionando em empresas inovadoras e que podemos implantar nas nossas empresas, desde já!

  • Criar mecanismos para ouvir o que clientes e potenciais clientes falam sobre o seu mercado, suas necessidades, dores;
  • Promover uma cultura de incentivo à criatividade que foca não apenas na geração de ideias mas fundamentalmente na criação das condições para que os colaboradores possam perseguir e desenvolver essas ideias para transformá-las em soluções que a tornem um produto, com valor direto para a empresa, ou seja, implantável internamente ou comercializável;
  • Reconhecer os funcionários inovadores não apenas com prêmios financeiros, mas os reconhecendo junto com a sua criação e, por que não, os tornando sócios dos projetos que ajudaram a criar;
  • Fomentar equipes multidisciplinares, envolvendo o marketing, comercial e operacional, garantindo uma visão global da organização, dos processos e dos problemas e desafios a ultrapassar. A empresa deve apostar na cultura de colaboração e comunicação entre as equipes;
  • Estabelecer uma cultura de startup, incentivando o erro rápido e barato, onde o fracasso não seja falhar, mas sim deixar de tentar. Na inovação, falhar não deve ser uma surpresa e muito menos uma marca negativa na carreira de um colaborador. O prêmio deve estar na aprendizagem e na inovação, não no conformismo;
  • Amadurecer na empresa a cultura de gestão de risco, permitindo incentivar a aceitação de riscos maiores, gerindo-os de forma eficaz;
  • Implantar na empresa estratégias para liberar tempo no dia a dia para inovação, como fomentar a terceirização de serviços que não são ligados diretamente ao negócio da empresa, exemplo: Gestão de Telecom, suporte de TI, limpeza, transporte, alguns processos de RH. Isso vai liberar tempo dos funcionários para observarem, criticarem, melhorarem e testarem “todo dia” novas formas de fazer a mesma coisa mais rápido, ou de outra forma, com menos gente, com mais rentabilidade, etc.

Se algo super novo no mercado que está a venda, mas que seus concorrentes também podem compra-lo, você já ficou pra trás. Pense nisso.

A única forma de ser inovador é ser o primeiro, e ser o primeiro é identificar as necessidades primeiro, estudar primeiro, testar primeiro, errar primeiro, reavaliar primeiro, ajustar primeiro, buscar alternativas primeiro, criar o produto primeiro, vender primeiro, ganhar dinheiro primeiro… E isso requer muita disponibilidade de tempo.

As atitudes bem intencionadas das empresas, que são compostas por pessoas, serão em vão se não existirem pessoas verdadeiramente comprometidas com suas carreiras e com a inovação.

 

E será que você está disposto?

Você está disposto a liberar uma parte do seu dia para observar, criticar, testar, discutir novas idéias? Todos os dias (mesmo sábados, domingos e feriados)? Abrir mão de um pouco do seu tempo com televisão, facebook, seriados, baladas?

Você está disposto a estudar todos os dias um pouco sobre o seu mercado, novos mercados, novas tecnologias e até assuntos que não tem nada a ver com a sua área para aguçar a criatividade?

Você está disposto a investir antes de ter o retorno? Pagar com o próprio suor, antecipadamente e sem garantia de retorno?

Você está disposto a delegar tarefas operacionais para seus colegas ou terceirizar para uma empresa especialista para ganhar tempo e assumir novos projetos?

 

O Brasil é pouco inovador porque não tem gente disposta a tudo isso. Triste, mas é uma realidade. Não adianta culparmos a crise, as empresas, o governo, etc, se não fazemos nem a nossa parte.

O ponto que precisamos ter em mente é que fomentar a inovação deve ser um processo cíclico (pessoal e dentro das empresas). Isso precisa se tornar um hábito na nossa vida, assim como ir todos os dias para o trabalho.

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