O espírito empreendedor de Robert Bosch

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Em 23 de setembro de 1861 nascia em Albeck, um vilarejo situado nas proximidades de Ulm, na Alemanha, Robert Bosch. Décimo primeiro de doze filhos, seu pai, Servatius Bosch, e sua mãe, Maria Margareth, cuidavam de uma hospedaria no trajeto entre Nuremberg e Ulm. Em 1884, aos 23 anos de idade, buscando enriquecer ainda mais seus conhecimentos, Bosch mudou para a América onde conseguiu emprego nas usinas da Edison Machine Works e manteve contatos com Thomas Edison.

Além dos métodos de fabricação de aparelhos elétricos, Robert Bosch conheceu de perto os problemas sociais existentes, principalmente decorrentes do relacionamento nada amistoso entre empregados e empregadores, somando aos seus conhecimentos técnicos uma grande experiência no campo social.

Dois anos depois, em 15 de novembro de 1886, o jovem engenheiro abriu definitivamente sua “Oficina de mecânica fina e eletrotécnica” em Stuttgart, na Alemanha, onde começou seu trabalho recuperando e consertando aparelhos elétricos e mecânicos, depois de trabalhar sete anos como engenheiro para empresas na própria Alemanha, para Thomas Edison, nos Estados Unidos, e para a Siemens, no Reino Unido.

A escolha da profissão foi “acidental”, de acordo com anotação de suas memórias: “Quando eu tive de escolher uma profissão, um dia meu pai me perguntou se eu não queria me tornar um especialista em mecânica fina e eu respondi que sim”. Dessa forma, entrou como aprendiz numa oficina mecânica, a C&F Fein (considerada a pioneira em eletrotécnica).

Nos primeiros anos, Bosch visitava seus clientes de bicicleta, levando os produtos para amostra. Em 1887, Bosch desenvolveu o seu primeiro magneto de baixa voltagem, por encomenda do fabricante de máquinas e motores Deutz, porém somente dez anos depois o magneto foi testado em automóveis, o que ajudou a transformar o sonho da indústria automobilística em realidade ao garantir a ignição do veículo através de uma pequena faísca elétrica.

Em 1901, Bosch comprou uma casa com jardim em Hoppenlauastrasse, onde construiu sua primeira fábrica e, em 1902, desenvolveu o magneto de alta voltagem. No ano seguinte, Camille Jenatzy venceu uma corrida na Irlanda com seu Mercedez equipado com um magneto Bosch de baixa voltagem.

O novo sistema só convenceu definitivamente e passou a ser adotado pelos fabricantes de motores quando Louis Renault, fabricante francês de automóveis, venceu uma corrida em 1906 utilizando o novo tipo de ignição de alta voltagem Bosch.

A partir de 1906, com a chegada da Bosch Magneto Company aos Estados Unidos, na cidade de New York, a empresa nunca mais seria a mesma. Com a visão empreendedora de Bosch, a primeira fábrica no exterior foi inaugurada em Springfield, no estado americano de Massachusetts, em 1910.

No mesmo ano, a Bosch introduziu um completo sistema elétrico para automóvel que consistia em magneto, alternador, lâmpadas, vela de ignição e interruptor. Uma sucessão de invenções ligou definitivamente o nome Bosch ao automóvel: sistemas de ignição, lâmpadas para faróis, baterias para automóveis e bicicletas, injeção para motor a diesel e primeiro rádio construído em série para automóveis, o Blaupunkt, na Europa. Nessa mesma época, a Bosch surpreendeu os consumidores ao introduzir o primeiro refrigerador doméstico nos lares europeus.

Robert Bosch morreu em 1942, mas sua visão de futuro, capacidade de inovação e o seu espírito empreendedor permanecem vivos. 120 anos depois de sua fundação, a BOSCH é uma das maiores corporações industriais do mundo, com faturamento anual superior a 43 bilhões de euros, mais de 260 mil funcionários, 236 fábricas instaladas e mais de 300 subsidiárias em 50 países.

Fonte:
MENDES, Jerônimo. Manual do Empreendedor: como construir um empreendimento de sucesso. 2 ed. São Paulo, Atlas, 2015.

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